Movimento 2020: Mais 10 desafios!

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A Associação Portuguesa de Dietistas quer ajudar os portugueses a ter hábitos alimentares mais saudáveis e lança 20 desafios

A Associação Portuguesa de Dietistas (APD) preparou para si, e para todos os portugueses, 20 desafios que o vão ajudar a melhorar a saúde alimentar. Até 2020 queremos provocar uma transformação e mudar a atitude da comunidade científica e do cidadão nas questões que tocam a Saúde Alimentar.

Já sabe que deve participar através das plataformas digitais (www.movimento2020.org e https://www.facebook.com/Movimento2020) e aceitar mudar de estilo de vida! Este plano de atividades a 6 anos envolve inúmeras formações promovidas por técnicos junto da sociedade civil. O Movimento 2020 conta com o apoio do Secretário de Estado Adjunto do Ministro da Saúde e de diversos parceiros das áreas da saúde, agricultura, responsabilidade social, indústria, sector alimentar, etc.

Hoje partilhamos mais 10 desafios. E, já sabe, vamos todos contribuir para os 20 desafios alimentares a vencer até 2020?

  1. MELHORAR A SAÚDE ALIMENTAR DA GRÁVIDA/PRÉ MAMÃ

A saúde alimentar da mulher no período de pré conceção e gestação tem uma ligação direta com a saúde das futuras gerações. O período pré-natal é decisivo para o crescimento e desenvolvimento saudável do bebé, pois nesta fase a grávida tem necessidades nutricionais específicas, que vão além da quantidade daquilo que come. A grávida deve ter acesso a cuidados de dietética e nutrição que lhe garantam uma alimentação com aporte proteico ajustado, suplementação vitamínica e mineral necessária nomeadamente em ferro e ácido fólico, ganho de peso adequado e prevenção de toxinfeções alimentares. O excesso de peso é também um dos fatores de risco na gravidez, tal como a hipertensão, diabetes e predisposição para doença cardiovascular. A saúde alimentar da grávida deve ser promovida pelo casal, mas também pela esfera familiar e laboral com o acompanhamento dos seus profissionais de saúde.

  1. DIMINUIR O EXCESSO DE PESO AOS 36 MESES DE IDADE

Temos de contrariar a tendência de excesso de peso nas crianças registada aos 36 meses de idade. O Estudo do Padrão e de Crescimento na Infância indica que 31,4% das crianças portuguesas apresenta excesso de peso aos 36 meses e 6,5% obesidade. Estes dados são alarmantes e indicam que temos intervir nos hábitos alimentares familiares. Um dos fatores que está associado à prevenção da obesidade infantil é o aleitamento materno. A Organização Mundial de Saúde recomenda o aleitamento materno exclusivo até aos 6 meses, sendo que em Portugal a duração média do aleitamento exclusivo é de 4 meses. O período de diversificação alimentar também é crucial até ao 1º ano, com a introdução dos primeiros alimentos sólidos. O leite de vaca tem sido introduzido cada vez mais cedo, em detrimento dos leites de transição, a sua introdução é recomendada a partir do 1º ano. É após o 1º ano de vida que se apresenta o período mais crítico da alimentação infantil, altura em que são introduzidos os alimentos com perfil desadequado ricos em açúcares e gorduras.

  1. MELHORAR A QUALIDADE DE LANCHES ESCOLARES

Garantir a elevada qualidade e equilíbrio nutricional das refeições intermédias da população escolar é prioritário. As refeições intermédias podem promover um melhor desempenho cognitivo quando nutricionalmente equilibradas. Contrariamente, quando não o são, representam um elevado contributo energético, que está relacionado com a prevalência da obesidade infanto-juvenil.

  1. AUMENTAR AS FOOD SKILLS DAS CRIANÇAS E JOVENS

Aumentar as food skills das crianças e jovens é investir na saúde e bem-estar. O aumento das competências alimentares ao nível da segurança alimentar, consciência de consumo, rotulagem e preparação e confeção de alimentos saudáveis devem fazer parte do conhecimento comum dos jovens portugueses. Conforme proposto pela Organização Mundial de Saúde, estas competências devem incorporadas no curriculum escolar em todas as faixas etárias. A sua falta, nomeadamente ao nível da preparação e confeção de alimentos, pode ser um fator limitante nas escolhas alimentares, com consequente impacto na saúde.

  1. MELHORAR O ESTADO NUTRICIONAL DAS PESSOAS IDOSAS

Temos de olhar atentamente para o estado nutricional das pessoas idosas em Portugal. A percentagem de desnutrição nesta faixa etária pode alcançar os 20% na comunidade e 80% em lares e instituições. Os motivos associados a esta elevada prevalência devem-se essencialmente às características fisiológicas da população com maior idade, como o progressivo declínio na mastigação e deglutição, mas também às más práticas clínicas associadas ao tratamento do indivíduo institucionalizado, tais como interrupções das refeições por motivos não urgentes, mau planeamento de exames que condicionam a normal ingestão alimentar. O estado nutricional da população idosa tem impacto ao nível da saúde pública e da sustentabilidade do Sistema Nacional de Saúde. Temos de o melhorar.

  1. AUMENTAR O ACESSO A CONSULTAS DE DIETÉTICA E NUTRIÇÃO NOS CUIDADOS DE SAÚDE PRIMÁRIOS

Todos os cidadãos devem ter acesso a Consultas de Dietética e Nutrição ao nível dos Cuidados de Saúde Primários. Só assim é possível atuar ao nível da prevenção e tratamento primário das patologias associadas a uma alimentação desequilibrada, cada vez mais prevalentes em Portugal. A sua prevenção e/ou tratamento nos primeiros estádios permitirá ao Estado Português poupar milhares de euros em saúde. Para atingir este desafio é essencial garantir a existência de dietistas-nutricionistas nos cuidados de saúde primários, permitindo que os grupos mais carenciados e socialmente vulneráveis tenham a literacia em saúde adequada, um melhor acompanhamento e menor probabilidade de desenvolver doenças crónicas, como obesidade, diabetes e hipertensão arterial. A disponibilização destas consultas no Sistema Nacional de Saúde, permite diminuir as desigualdades no seu acesso, atuar na literacia alimentar e aumentar a qualidade saúde e bem-estar dos portugueses.

  1. GARANTIR A IDENTIFICAÇÃO DO RISCO NUTRICIONAL NAS INSTITUIÇÕES DE SAÚDE

Diminuir a incidência de doentes malnutridos em instituições que prestam cuidados de saúde é importante. Estima-se que um em cada três utentes em meio hospitalar, e mais de metade dos utentes de instituições prestadoras de cuidado, se encontra em risco de malnutrição ou malnutrido. Algo que tende a piorar durante o seu internamento, quando não são devidamente identificados e tratados. Estes estados ocorrem tanto por excesso (sobrenutrição) como por défice (desnutrição) de nutrientes, diminuindo a qualidade de vida dos utentes, aumentando o tempo de internamento e dos recursos de internamento alocados à sua condição física. Segundo as orientações da European Society for Clinical Nutrition and Metabolism (ESPEN), a identificação do risco nutricional, até 48 horas após a admissão de um indivíduo em qualquer uma destas instituições, permitirá identificar todos os utentes que requeiram cuidados nutricionais específicos. Podemos assim prevenir ou tratar estes casos através de planos nutricionais personalizados e dos suplementos necessários.

  1. AUMENTAR A ATIVIDADE FÍSICA

O aumento da atividade física aumenta o bem-estar através da redução das atividades sedentárias e dos períodos de inatividade decorrentes do dia-a-dia. No Plano Nacional de Saúde 2012-2016, podemos constatar, que a nível europeu, o nosso país é aquele que apresenta a maior percentagem de cidadãos que não realiza nenhuma atividade física (36%). Um valor muito superior à média europeia de 14%. Sabendo que a inatividade física tem sido apontada como o 4º fator de risco de mortalidade global, é preocupando que apenas 33% dos portugueses pratique desporto ou exercício físico uma vez por semana. Estando os níveis de inatividade física em crescimento em diversos países ao nível mundial e tendo esta inatividade consequências na saúde global e na prevenção de doenças cardiovasculares, diabetes, cancro, obesidade, é primordial a tomada de medidas de promoção da atividade e exercício físico, diminuindo a duração da inatividade física verificados numa grande parte da população. Por outro lado, a prática de exercício físico e desporto tem mostrado implicações positivas na promoção de valores pessoais e sociais de cidadania (cooperação, tolerância, respeito, participação, justiça, solidariedade, entre outros) sendo desta forma fundamental associar-se ao desenvolvimento e crescimento das crianças e jovens.

  1. VOLTAR A COLOCAR A DIETA MEDITERRÂNICA NA MESA

A dieta mediterrânica tem de ser uma presença assídua nas refeições quotidianas dos portugueses. É atualmente classificada como património cultural e imaterial da Humanidade, pela Unesco, e traduz um estilo de vida. Não é apenas um padrão alimentar, que combina ingredientes da agricultura local, receitas e formas de cozinhar próprias de cada lugar, mas incorpora uma noção de refeição partilhada, de celebração e de tradições que completam um estilo de vida saudável, quando acompanhado pelo exercício físico moderado diariamente num clima ameno. A Dieta Mediterrânea é caracterizada pela abundância de alimentos de origem vegetal, como o pão, massas, arroz, hortaliças, legumes, fruta fresca e frutos oleaginosos; pela utilização do azeite como principal fonte de gordura; pelo consumo moderado de pescado, aves, lacticínios e ovos; pelo consumo de pequenas quantidades de carnes vermelhas e ingestão moderada de vinho, geralmente durante as refeições. Aos benefícios de seu baixo teor de ácidos gordos saturados e alto teor de monoinsaturados, junta-se a riqueza em antioxidantes que são determinantes para o bem-estar. A prevenção das doenças crónicas não transmissíveis (diabetes, doença cardiovascular, entre outras), a manutenção de um adequado estado cognitivo e a longevidade estão positivamente associadas a este estilo de vida.

10. AUMENTAR OS NÍVEIS DE FELICIDADE DOS PORTUGUESES

 O nosso estilo de vida e hábitos alimentares têm uma ligação direta com os nossos níveis de felicidade. Contribuem para nos sentirmos bem, sermos saudáveis e felizes. E ao melhorarmos a nossa vida, melhoramos também a forma como nos sentimos. A vida contemporânea é cada vez mais complexa, com menos tempo e com níveis de stresse elevadíssimos. A depressão tem afetado milhares de portugueses e o cansaço faz-se sentir com o desgaste do dia-a-dia. Trabalhamos mais, com maiores responsabilidades e a uma velocidade cada vez maior. Quando temos os cuidados adequados, sentimo-nos bem e mais satisfeitos. O último desafio é o de colocar os portugueses a sorrir. Não porque vamos resolver todos os males, mas porque se alcançarmos os restantes 19 desafios, este estará mais perto. Faça as escolhas corretas. Sorria!

 

Zélia Santos | Presidente da Associação Portuguesa de Dietistas

 

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